Cinderela no país das Maravilhas

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Ansiedade

O corpo vacila, estica e treme no vislumbre de uma ameaça.

Não é bem uma ameaça mas é sentida como tal e todo o corpo se retesa,treme, perde o controlo.

Que pensamentos estão por detrás?

Medo. Medo de errar. Medo de falhar. Medo de me enganar. O que acontece a muita, muita gente.

Ficar obsessiva ao ponto de baralhar toda a questão.

Sair de casa. Cinema. Não acertei na hora.

Gostava de escrever sobre borboletas e rosas, para variar. Mas o cérebro insiste em avariar.

Sair da situação e tentar espairecer. Não é nada do outro mundo!

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Depressão?

Desde que estou eutimica que sinto uma particular dificuldade em perceber o que é que ainda faz parte da depressão, o que é preguiça, desmotivação, frustração ou inércia pura. Tenho resistência às atividades físicas, inclusivamente as de higiene diária. Tenho de me forçar a todo o momento. As tarefas domésticas são divididas por várias vezes: tenho alguma louça para lavar – então, em vez de empreender essa tarefa de seguida faço pausas. Depois há as mini realizações de algo ter conseguido.

A parte relacional está ok. Ou seja: comunico, com alguma ansiedade mas faço-o, com os mais próximos. Ainda gaguejo e perco o fio à meada mas não me escondo, não evito. A solidão é-me mais pesada do que no passado.

Esperemos que os dias contínuos na cama, em hibernação, de virar as costas a tudo e a todos não regressem.

As consequências foram, de facto, devastadoras e ainda tenho dificuldade em aceitá-las. Encurtamento do circulo social, ausência de relações amorosas, vida profissional desastrosa ou ausente. Além de todo o sofrimento associado…

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Saltitar de medo em medo para escolher qual o menor. Deixá-los passarem de papões assustadores para revezes da imaginação.

Faço coisas. Aos soluços. Aos tropeções. Exigir-me. Obrigar-me.

Nunca poder esquecer a condição da doença.

Os textos que se perderam por aí. Bocados de nós em momentos presos no passado.

A inércia a dominar.

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Sentir a normalidade ausente de interesse. Sair por terapia. Tanto que fazer. Tanto por fazer.

As pequenas nódoas negras emocionais a virem à memória vezes demais. Apoio de pessoas inusitadas. Preciso? Aparentemente.

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Clinica de S. José I

E depois de muitos meses agarro na coragem da euforia para dar a volta ao caderno escrito aquando do internamento.

Interessante ao não talvez seja indiferente. São as emoções para cima e para baixo, os revezes do pensamento que interessam para este Blog.

caderno

26 de Fevereiro

” Exausta. Internada para me tratar/organizar para acabar desorientada e insone. Demora. Sim. Mas depois saio e? “Tem de haver motivação” – alguém disse.

Passados estes 8 dias sinto-me irritada, impaciente. Apesar de haver interesse e curiosidade no que faço – nas actividades estipuladas. Os outros pacientes – tão diferentes e tão iguais. O interesse neles é mais rapidamente selectivo que das outras vezes. Talvez prova de que não estou mesmo a fazer viragem para cima. Talvez a certeza de que o tempo não trouxe só desvantagens. Não o perder. Ser mais rápido nas decisões.

O cansaço e talvez a falta de privacidade e personalidade fazem-me viver uns laivos de paranóia aqui e ali.

Há alguém aqui que parece uma personagem de tão estereotipada que é. A diva. Só pode ser bipolar. Tem sempre “histórias fantásticas”, conhece sempre “gente in”. Intimida-me. mantenho-me à distancia.

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Esquecimento

É possível reaver memórias que julgava definitivamente perdidas.
Tão tantas e diversas. Fariam o que sou. A minha identidade. O passado não me interessa há muito.
Mas há outro passado antes do passado evitado, pantanoso. Uma história que parece eu ter vivido, vagamente.
Um outro eu que já fui. Que não sei caracterizar. Estranho….como se fosse uma vida de uma irmã que deixei de ver há muito. Falecida. Desaparecida.
E depois há o Eu presente. Que regressa a locais que em tempos tinham outras funções.
Em que decorreram histórias semiapagadas por um cérebro que criou várias vidas e registos numa só pessoa. Que acontece ser eu.
Aqui.. – quantos espetáculos? Quais? Com quem estava? Em que anos?
Como vivia e sentia naquela altura?
É possível reaver essas memórias?

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Is a dream alive? (julho 2012)

Is a dream alive if It don’t come true or is it something worst?
Bruce Springsteen

Cada vez mais lhe parecia que ter ideias ou tentar compreender as dos outros, mesmo quando interessantes, era inútil e estúpido… E também cada vez lhe custava mais
não dar uso ao conhecimento, que teimava em ter, fosse de que área fosse,

Parecia uma idiotice, uma teimosia infantil ou adolescente. Uma forma de se
afirmar, de combater as suas frustrações e falhanços…mas estava cansada. Muito. E já não queria provar nada a ninguém, provavelmente nunca o tinha querido, sobretudo a si própria.
Essa antiga incansável fórmula de se provar que valia qualquer coisa, à margem
da cegueira de todos, pais, amigos, sociedade. Se algum valor lhe reconheciam era tema proibido.
Porquê nunca o soube mas soube que isso acontecia pois continuava a gastar uma fortuna em ouvidos e vozes “amigas” há mais de 20 anos.

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