Cinderela no país das Maravilhas

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Depressão?

Desde que estou eutimica que sinto uma particular dificuldade em perceber o que é que ainda faz parte da depressão, o que é preguiça, desmotivação, frustração ou inércia pura. Tenho resistência às atividades físicas, inclusivamente as de higiene diária. Tenho de me forçar a todo o momento. As tarefas domésticas são divididas por várias vezes: tenho alguma louça para lavar – então, em vez de empreender essa tarefa de seguida faço pausas. Depois há as mini realizações de algo ter conseguido.

A parte relacional está ok. Ou seja: comunico, com alguma ansiedade mas faço-o, com os mais próximos. Ainda gaguejo e perco o fio à meada mas não me escondo, não evito. A solidão é-me mais pesada do que no passado.

Esperemos que os dias contínuos na cama, em hibernação, de virar as costas a tudo e a todos não regressem.

As consequências foram, de facto, devastadoras e ainda tenho dificuldade em aceitá-las. Encurtamento do circulo social, ausência de relações amorosas, vida profissional desastrosa ou ausente. Além de todo o sofrimento associado…

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2002.1

A vida começa agora. Não saber por onde começar. A adaptação ao exterior não é fácil.

A concentração na descoberta do pequeno e na beleza à volta não é facilitada pela cidade e bairro onde vivo. Demasiadas caras pesadas e tristes.

Não saber qual o caminho a tomar para procurar/encontrar outra Realidade.

Como? Sozinha e sem segurança alguma?

Ir com calma. Aceitar que o equilíbrio precário é muito recente, que as condições reais, tanto familiares como conjunturais não são favoráveis.

Hoje: apesar de não acreditar que me vá realizar a fazer o que quer que seja por 500 euros mensais – isso era o que auferia no primeiro emprego “sério” – , foi interessante rever duas pessoas associadas ao meu passado emoconal: Lázaro e Nuno Lisboa – coincidências ou o que quer que seja que o destino me queira dizer.

A reaproximação ao Zé não está a ser fácil. Impossível compreender como já senti algum fascínio por ele. É muito cansativo; o se cala e está sempre a debitar máximas e informação. Telefona-me muito. Mas é uma das poucas pessoas que me procuram de momento:  ele e dois tipos do ICQ, também eles…cansativos.

O Diogo (Deus me diga quem era…) invade o meu espaço, tal como o Zé. Não suporto o olhar embevecido deste último ao fixar-me (não devia ser assim suponho).

Reaprender a escrever, reaprender a comunicar.

É como se saisse de um coma profundo

Estar na minha casa agora angustia-me. O que fazer?

 

 

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Descriminação

estigma

 

 

 

Site e blogs sobre saúde mental. É como ler sobre irmãos quase gémeos. Recuperação de muitos. Descriminação muito acentuada ainda. Talvez a minha solidão não seja o resultado de um “mau feitio” ou de fracas capacidades de socialização. Talvez a maioria das pessoas que não me procuram ou que se afastaram, o tenham feito precisamente devido à doença. O que, estranhamente, é quase um alívio….que tenha sido por estupidez e não por minha causa.

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