Cinderela no país das Maravilhas

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Letter to Yale University

Há uns anos tropecei num texto americano acerca de um estudo sobre as especificidades das urgências hospitalares, no caso das tentativas de suicídio.

É um assunto doloroso e negro. Ninguém quer falar dele, a não ser, precisamente, em estudos académicos, com muitos números e estatísticas. Tenho membros da família para quem as minhas tentativas de “ir embora” são de tal forma traumatizantes que simplesmente entraram em negação – não acreditam que elas tenham existido, de facto, e um deles chegou a esconder relatórios médicos onde tal era mencionado no meu historial.

Este médico de Yale não teria nada para me responder, obviamente…sobretudo por a realidade da cultura e sociedade dele ser algo diferente…mas mesmo assim….não gosto da ideia de lhe ter dado uma imagem de terceiro mundo deste país MAS…..sabemos onde vivemos, certo?

(MANTENHO O TEXTO EM INLÊS PORQUE dói menos)

Hello

Suicide is of course an issue of awful stigma. I have tried it several times in the past mainly due to bipolar disordar I think. What I would like to report you is that my experiences in emergency rooms filled in meds in order to die has been so traumatic regarding doctors and staff hospital that I think many times twice or more before I take pills again because If I don’t manage to really die, a likely awful surprise is awaiting me at the hospital…

– Once I was trying to explain a psychiatrist that my atempt was related to being bpolar and she talked to me like I was retarded.

– Once while I was being stomach washed I remember at the same room some nurses (or other staff) having fun about someone that had been there one with rats poison.

– Once I was put in a dark locked room. Once I was very agitated I walked around and knocked the door several times. Staff came in and tried to tie me to the bed . Fortunately there was a real human being there that yelled – can’t u see she is lucid? Drop that. In that same day in the morning a nurse insulted my mother. Once this was too much I wrote to the nurses association complayning, as well to that same hospital. The process didn’t catch anyone guilt and from the hospital I never heard a single word….. Happily or not I can’t recall detailed all the facts of the 4 to 6 times I eneded up at emergency for the last 10 years. It’s all just very sad.

Once I can’t report these experiences to almost anyone here I thought that this story might eventualy be on your project interest. Thanks for reading.

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Esquecimento

É possível reaver memórias que sentia como definitivamente perdidas.
Tão tantas e diversas.
Fariam o que sou. A minha identidade.
O passado não me interessa há muito. Mas há outro passado antes do passado evitado, pantanoso. Uma história que parece eu ter vivido, vagamente.
Um outro eu que já fui. Que não sei caracterizar. Estranho….como se fosse uma vida de uma irmã que deixei de ver há muito. Falecida. Desaparecida.
E depois há o Eu presente. Que regressa a locais que em tempos tinham outras funções. Em que decorreram histórias semiapagadas por um cérebro que criou várias vidas e registos numa só pessoa. Que acontece ser eu.
Aqui.. – quantos espetáculos? Quais? Com quem estava? Em que anos?
Como vivia e sentia naquela altura?
É possível reaver essas memórias?

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A um ou a dois

Tento encontrar o interesse em estar-se sozinho.
E não o descubro.

Tanta liberdade, tanta falta de compromisso.
Mudar de ideias a cada 10 minutos.
Não ter planos. Rotinas difíceis de manter.
Vazio a maior parte do tempo.

Falta a tensão de decisões a dois.

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Autonomia

No estar solitário procuro contentamento.
Contentamento com um Eu supostamente genuíno que essa condição facilitaria.
Ouve-se dizer que nos podemos anular quando estamos em relação com um outro.
Sinto-me dizer que assim não é divertido
Não traz satisfação. Não traz contentamento.
Contento-me então com a solidão. Com a pouca disponibilidade de Outros que veem e vão.
E que nunca ficam.

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